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05 novembro 2013


Minhas palavras sempre foram prostitutas da tristeza. Prostitutas das mais baratas, iam facilmente com qualquer um. Qualquer um que oferecesse o mínimo de desprezo por elas.
As palavras-prostitutas mataram todos os clientes, os infectando com verborragia. E eles, por sua vez, as infectavam com reticências e silêncio. E já perdi as contas de quantas vezes morri.
Deve ser por isso que nunca te escrevi nada até hoje. Deve ser por isso que emudeci quando você surgiu. Porque você não é como eles. E minhas palavras não podem mais ser de tristeza. 
Começo timidamente a me acostumar com tudo que você me dá. Um colo e uma cara amassada. Um chocolate quente e um sermão cuidadoso. Um cafuné e uma piada de gosto duvidoso, que me faz rir. Um carinho na cabeça e um presente desajeitado. A sua eterna doçura e paciência mesmo em um dia caótico. Seu "bom dia" cheio de sono. Seu excesso de sono e sua imensa vontade de fazer do meu dia, um dia bom. Suas iniciativas e sua imaturidade. Suas palavras que me ajudam a dormir...e acordar.
Nunca senti que minhas palavras fossem dignas de algo assim. Esse é um esforço de libertá-las para algo que não conhecia e você me ensinou. 
Por vezes tentei fugir de tudo que você tentou me dar. Porque você nunca foi reticente. Porque você nunca foi silêncio. Porque você nunca fez de mim algo descartável. E as minhas palavras, prostitutas da tristeza, morreram. E enquanto isso, ganhei vida. E ainda não sei o que fazer com isso. Não sei ainda ser mais que um objeto do ego alheio. 
Tentei todas as vezes usar as velhas palavras pedindo que você fosse embora. Mas você ficou. Aquelas palavras não lhe cabem, porque não foram feitas pra você. 
Agora sempre que lembro daquela cena no ponto de ônibus: você apontando para um casal de velhinhos, dizendo que seríamos como eles - e eles, por sua vez, cochichando sobre nós dois juntos - vejo que vale a pena ser uma péssima escritora, se for pra ser a pessoa mais feliz do mundo.


ps: mas pelamordedeus, me ensina também a escrever coisas felizes no meio desse processo de aprendizado/mudança porque ainda precisamos de dinheiro para ficarmos juntos. E eu ainda quero falar de você no Jô. 




Um comentário:

  1. Esse texto, além de ser muito bem escrito, é um manifesto, um ato fundador de uma nova era, de uma guinada decisiva pra sua (e nossa) vida, rumo ao caminho que aponta sempre pra cima!

    Eu te amo <3

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