07 junho 2012
Eu sou um turbilhão de insegurança, e você sabe disso. Eu tenho meus medinhos inabaláveis e por isso me abalo com qualquer coisa. Sou uma mimadinha chata que pega no pé. Uma louca infantil, dramática. Uma suicida de boutique - aquela que só ameaça. Segundo você, eu ainda preciso aprender o que é gostar. Eu pensei nisso todas as horas do meu dia. Como se sabe quando se gosta corretamente? Não foi o próprio Drummond que disse que isso “foge a dicionários e a regulamentos vários”? Pois eu gosto do jeito que me cabe gostar. E meu jeito é insensivelmente sensível demais. Insensível pelo egoísmo, pelo controle, pelo exagero. Assim toda a insensibilidade com o outro é convertida em sensibilidade em mim. É confuso demais? Eu sei. Sei que você não vai entender e eu vou aturar isso, porque, infelizmente, eu ainda gosto de homens. Mais especificamente de você. E você é um turbilhão de segurança. Com uma confiança inabalável e por isso abala qualquer coisa. É um metidinho chato que jamais pegaria no meu pé, por ser orgulhoso. Maduro e racional. Aquele que preza a vida como ninguém. E que vê todas as explicações no Universo. E é óbvio que o seu gostar seria o mais correto. Não é tão óbvio? “É só pensar”. Mas se eu pensar, só quero você na minha cama. E beijando as minhas costas. E depois puxando minhas pernas pra você. Se eu pensar, vou te querer no meu chuveiro. Se eu pensar, já vou começar a escolher o nome de todos os nossos filhos (Anita, Clara, Clarice, Laís, Bernardo, Diogo, João...Sugestões?). É nisso que eu penso, mesmo odiando seu jeito todo-dono-de-si. Mesmo te achando insuportável.
O que me faz pensar que, se com o universo não se brinca, ele deve estar se divertindo às nossas custas.
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