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10 fevereiro 2012

Metrô

17:00hs. Metrô. Linha 1. Pavuna-Botafogo. Não, na verdade era Botafogo-Pavuna, e Anita estava na estação final, atrás da faixa amarela tentando não ser derrubada por homens de dois metros de altura que queriam entrar também (e que, por sinal, ultrapassavam a faixa.). Nada fora do normal, é a situação de sempre do metrô e das pessoas que se utilizam dele: precária e sem educação, respectivamente. E ela estava lá naquela agonia quando o vagão se aproxima e todos correm pra pegar lugar. Uma mulher perde a sandália. Outra dá uma joelhada no homem para pegar um lugar que ele nem queria. E a mulher não pede desculpas. Anita não queria se sentar também e para ao lado do homem machucado. Miúda, ela só queria ficar perto da porta para conseguir sair.

Botafogo, Flamengo, Largo do Machado… Para passar o tempo ela vai pensando na vida. Ela recebera rosas no dia anterior. Vermelhas. Com uma poesia. Sua amiga disse que era cafona, mas ela gostou. Gostou não, amou. E falando em amar…Estava amando tanto. Só de fechar os olhos conseguia sentir o cheio do cabelo dele molhado antes de dormir. Sim, com todo aquele fedor dentro do vagão sem ar-condicionado. Mas Anita só conseguia pensar no quanto ele era perfeito. Não poderia existir no mundo alguém melhor.

“Próxima estação Carioca, desembarque somente pelo lado direito. Next stop Carioca. Mind the gap.” Estava perto de casa, já. Mas ainda tinha que suportar alguns minutos dentro daquele calor. E a melhor distração ainda era pensar… Nele. Ela nunca se sentira tão bem: segura, viva, alegre… E enquanto pensava, alguém lhe dava umas cotoveladas. Respirou até 30. Antes era até 10, mas não tinha muito sucesso. Agora ela exercitava sua paciência. Mas o cotovelo de outra pessoa continuava atingindo suas costas. Ela se virou - na medida do possível - pra pedir encarecidamente que a pessoa tentasse – talvez, quem sabe- não bater nela.

Ela se virou. Seu coração começou a bater rápido demais. Ela não conseguia falar. Simplesmente não conseguia. Aquela pessoa era tão linda. Tão linda. Corpo e rosto perfeitos. Era a perfeição em forma de gente. E seu coração batia mais rápido. E ela virou pra frente, e não disse nada. A perfeição era uma menina. A perfeição era loira. A perfeição tinha olhos azuis. E a perfeição era outra pessoa. E ela pensou em como ele preferia loiras. Ela se lembrou do quanto ele, poeta, era obcecado por beleza. E Anita se sentia pequena. E lembrou que não tinha corpo perfeito, que não era loira, nem tinha olhos azuis…

Nova América, Del Castilho: sua estação. O tempo passou tão rápido entre a Carioca e essa estação que quase que ela esquece a hora de descer. Desceu. Entrara alegria e saíra mofo, de tão distante que parecia da sua felicidade. Isso tudo em menos de meia hora. E ao chegar em casa, tomar banho e se deitar no sofá para ver a TV, ela percebera que o metrô podia estar insuportável com tantas pessoas, mas que ela, sozinha, também já era muitas.

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