São quase sete horas da manhã e uma noite sem dormir. O café esfriou sem eu ter tomado um gole. Nenhum gole de café, nenhum gole de sono, nenhum gole de vida. Não, não é tristeza. Tristeza e falta de alegria se diferem em um ponto: a primeira não se diz e é substituída pela segunda. É, eu não consigo enganar a mim mesma, estou triste. E assim como tudo que eu disse, estou confusa. Mas toda essa confusão não é culpa minha, nem causa tua. Você sabe que não é. Nós sabemos que não é. Por isso não escrevo a causa, escrevo a consequência: estou triste. É aquela dorzinha que a gente não sabe exatamente aonde dói. Eu sei que isso é clichê demais, explicar tristeza, mas me deixa tentar. Tristeza é essa falta de sono que bateu e me faz ter que ouvir minha mãe saindo para o trabalho. Tristeza é ver meu café esfriando, sendo que eu quase me queimei fazendo, e agora ele está ao meu lado intocável.
Ok, um gole de café. Amargo. Amargo. Ou sou eu que estou amarga? Não acho que tristeza deixe as coisas amargas, deixa sem gosto mesmo. Nem doce, nem azedo. Apenas ausente de sabor. E começa a me dar uma vontade de dizer tchau pra minha mãe, mas ela vai me perguntar a razão de eu ter acordado tão cedo.. e... “Mãe eu não dormi”. Péssima ideia. Péssima.
Agora já passam das sete. Eu tomei o café só por tomar. Eu continuo com aquela tristeza das primeiras linhas. Eu já escutei R.E.M. e U2. Eu continuo sem sono. Mas no fundo no fundo, sei que estar acordada é algo muito relativo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário